sábado, 19 de janeiro de 2013

totus tuus MARIA


1. A ASSUNÇÃO DE NOSSA SENHORA
" Pronunciamos, declaramos e definimos ser dogma dignamente revelado, que a Imaculada Mãe de Deus e sempre Virgem Maria, terminando o curso de sua vida terrestre, foi assunta em corpo e alma à glória celestial".
(Constituição apostólica "Munificentissimus Deus" (M.D DE Pio XII - primeiro de Novembro de 1950).
Entende-se por Assunção a glorificação corporal antecipada da Santíssima Virgem, em razão dos méritos do seu Filho Jesus Cristo. Assim, enquanto dizemos
que Jesus Ascendeu aos céus, sobre Maria é certo que esta foi assunta ao Céu, de Corpo e Alma, porque Jesus subiu aos céus por virtude própria, enquanto Maria foi assunta aos céus, pelas virtudes e méritos de Jesus. Ela foi assim, levada, não tendo subido por si.
Diz-se glorificação antecipada porque a glorificação corporal das criaturas é prevista apenas para o fim dos tempos, enquanto que com Maria ela aconteceu antecipadamente.
Se Maria morreu ou não morreu, a tradição afirma comumente que sim, mas esta afirmação não é artigo de fé e constitui divergência desde os primeiros séculos da Igreja. De qualquer modo, se Deus envolveu de mistério o fim de sua santíssima Mãe, não cabe a nós nos perdermos em tais discussões.
Vamos aos fatos mais importantes, decorrentes da glorificação corporal de Maria:
1)Ela reencontra Seu Filho, após a separação de sua morte de cruz e entra em união definitiva com Ele.
2)Maria não necessita mas da fé para conhecer Jesus. Ela agora dispensa os obscuros e limitados símbolos terrestres e se encontra face a face com a divindade.
3)Sua Maternidade Espiritual recebe seu último acabamento. Explicando melhor:
a. Na anunciação:
Desde a Anunciação, Maria recebera uma graça materna para com os homens, da qual recebeu os fundamentos na Encarnação. Enquanto Cristo, ao se Encarnar-se tornava radicalmente cabeça dos homens, Maria se tornou sua mãe, fundamento de sua maternidade em relação à nós.
Na Cruz, Cristo tornou-se formalmente chefe da Igreja, e, Maria, formalmente Mãe desta, tanto que Cristo escolheu esta hora para proclamar sua missão materna(Jo 19,25-27).
b. Em Pentecostes:
o Regime da Graça entrou em vigor e Maria assumiu efetivamente sua maternidade, intercedendo pelos homens, que havia amado com amor universal, em Seu Filho, embora os conhecesse indistintamente, e não conhecesse claramente o poder e o efeito de sua intercessão.
c. Agora, no Céu de Corpo e Alma:
c.1. Na visão beatífica conhece cada um de nós de modo individual e pessoal.
c.2. Estando no céu com seu Corpo,(glorificado como o de Cristo),Maria mantém para conosco uma co-naturalidade física e uma capacidade afetiva das quais os outros santos estão atualmente privados. Assim, tem um conhecimento materno ardente e preciso, mas íntimo do que o dos demais bem-aventurados.
d. Atividade Materna
O conhecimento que Nossa Senhora tem de nós é perfeito porque procede da visão divina, mas ser mãe não é apenas conhecer, mas também agir. Em que consiste pois a ação de Maria em favor de seus filhos?
Consiste numa intercessão:
d.1. Viva porque procede do Amor. Ela não nos conhece como um sábio que registra friamente os fenômenos que vê, mas com desejos pela nossa Salvação, desejos estes que coincidem com os de Deus e com seu imenso amor por nós.
d.2. Eficaz, não porque Deus necessitasse dela, independentemente de Sua vontade, já que Deus realmente não necessita de ninguém. Mas porque Deus quis fazer da redenção uma obra aonde a Salvação seja, em cada uma de suas etapas, tanto no plano terrestre como no celeste, um trabalho simultâneamente humano e divino. Senão vejamos:
- Deus se fez homem para salvar os homens.
- Associou uma criatura, uma mulher, à sua missão salvífica (Maria).
- Colocou a Igreja nas mãos de homens e se compraz em lhes deixar fazer obras "maiores" que as suas.(Jo 14,12\ Jo 4,38)
- E faz cada homem colaborar livremente para sua própria salvação ou perdição.(Eclo 15,11-22)
Assim, o papel concedido às intercessões de Nossa Senhora e dos santos manifesta um designio divino.
Observação importante:
Também nesta ordem, Maria ultrapassa os santos porque:
- Jamais pecou, de modo que tem perfeita unidade com o amor divino.
- É cheia de Graça
- Está no céu em alma e corpo
Deus se compraz em escutar o duplo eco de suas intenções na liberdade humana de Jesus e de Maria.
Maria tem comunhão total com Deus, e portanto não podemos dissociar:
a. As intenções de Deus das de Maria
b. A ação de Deus da de Maria
O poder de Deus inspira e penetra sua oração, dando aos seus desejos o poder de atingir seu objetivo.
Desde a origem Maria precedeu a Igreja em todas as etapas de sua vida. Agora na Virgem assunta ao céu, a Igreja, em marcha para a glorificação, realiza já a perfeição do seu mistério.
A Assunção não pode ser considerada como um fato isolado, mas no contexto da obra redentora de Jesus e no contexto da missão que Jesus encomendou à Maria na cruz, em favor da Igreja.
Com relação a Jesus a Assunção de Maria não tem luz própria, mas o reflexo que Cristo ressuscitado faz incidir sobre Ela. É participação na glória de Cristo, devido a redenção.
Sua maternidade não é simplesmente biológica, mas participação consciente e aceita na obra de seu Filho. Jesus a ama com amor divino e por isso a mantém inseparável a Ele. Assim, por desígnio divino Maria está associada a vitória de Cristo sobre o pecado e consequentemente sobre a morte. Maria é vitoriosa sobre o pecado e a morte não por si mesma como Cristo, mas porque está unida a Cristo vitorioso. A virgindade de Maria também é motivo de sua Assunção por ter sido Ela vocacionada a doar sua carne unicamente a Deus.
A Assunção de Maria é sinal de que a graça não transforma somente o espirito, mas todo o ser humano. A graça da glorificação do corpo humano foi antecipada em Maria, enquanto nós haveremos de esperar e ressurreição final.
O final terreno de Maria também tem outra função:
- transformar a morte na mais completa renuncia e entrega de si mesmo nas mãos do Pai, tirando a idéia da morte apenas como pena pelo pecado.
Com relação a Igreja devemos estar conscientes que toda obra salvífica de Cristo e a participação de Maria na mesma tem como propósito a Igreja.
Maria recebeu no começo da Igreja e de maneira consumada o que os outros fiéis receberão no final. Em Maria aparece de manifesto que a entrega de Cristo ao Pai e a aceitação dessa entrega por parte do Pai resplandece como uma graça de Cristo à Igreja, da qual Maria é modelo.
2. MEDIAÇÃO INTERCESSORA DE MARIA
A mediação maternal de Maria supõe vários princípios teológicos, dos quais adiantamos dois por sua especial importância:
Primeiro: A continuidade da Igreja terrena com a celeste. Por esta verdade teológica cremos que toda a Igreja, tanto a que vai caminhando quanto a que já chegou ao seu término, está unida ao redor de Sua Cabeça Única que é Cristo, e num único propósito de Salvação. Por isto mesmo, entende-se que nossa vocação eclesial não termina com a morte, mas é uma e única para sempre. Assim, compreendemos que a vocação de Maria não terminou.
Segundo: Todos nós que fazemos parte da Igreja, caminhamos juntos para a Pátria definitiva, com uma mediação de apoio mútuo que é uma verdadeira mediação salvífica (cada um de acordo com a sua vocação e missão específica, à qual corresponde uma graça e à medida com que corresponde à esta graça). Esse mútuo apoio e mediação, que faz "uma alma que se eleva" elevar o mundo inteiro, em nada diminuem o Senhorio e a Mediação únicos de Cristo, mas a Ele estão subordinados. Poderíamos dizer que o Salvador exerce Sua mediação e senhorio por meio daqueles a quem livremente desejou associar Sua obra, em favor de seus irmãos.
Por esta razão é que, apesar de nos revelar que Jesus Cristo é o único mediador (1 Tim 2, 5) porque sozinho deu Sua vida em resgate de muitos, as Escrituras também chamam Moisés de "mediador da Lei"(Gál 3,19), e nos oferece no AT muitos exemplos de homens e mulheres chamados pelo Senhor para levar a cabo como seus mediadores, através de uma missão particular, a Salvação que vem apenas DELE. Por isso dizemos que não existe graça que seja puramente em benefício próprio: somos também beneficiados com as graças que recebemos de Jesus, mas os contemplados com ela são muitos, tantos, que às vezes nem podemos imaginar. Estas mediações humanas, longe de obscurecer a UNICIDADE DA FONTE DE SALVAÇÃO, nos fazem cair na realidade de quanto o Senhor levou a sério sua criatura, pois a associou livre e amorosamente à Sua obra.
A mediação intercessora do cristão, longe de negar a intervenção única de Deus, coloca-a em evidência: é ao Senhor que se dirige a súplica pelo irmão. E precisamente porque, ao contrário do que Caim argumentava (Gen 4,9), somos sim, co-responsáveis pela Salvação de nossos irmãos. Por isso, no mesmo texto onde o Espírito Santo nos revela por intermédio de S. Paulo a mediação única de Jesus, acrescenta o quanto é agradável a Deus e como está conforme o Seu plano a mediação intercessora do cristão pela libertação completa de seu irmão com ele redimido(1 Tm 2,1-4), mediação esta que o próprio Espírito de Deus coloca ao lado e subordina à de Cristo.
Pois bem, é nesta linha que se desenvolve a intercessão materna de Maria, que não empana o brilho da mediação única e insubstituível de cristo, porque tudo o que Maria é e tem, lhe veio e vem da superabundância dos méritos de Cristo, apoia-se em Sua mediação, e a Ele conduz.
Dentre todas as criaturas humanas, a mediação de Maria é especialíssima, pelo fato dela ser a Mãe de Deus feito homem. Neste sentido, Sua participação na obra Salvífica é muito especial e se destaca da dos demais fiéis, não tanto pela dignidade própria, mas pelo Amor e Serviço especiais. O fundamento da relação materna de Maria com Jesus não se limita à Ele, mas também aos Seus membros, a Igreja, nós. E, depois de Assunta ao céu, a Virgem vive constantemente de frente a Seu Filho, e toda a Sua exist6encia glorificada perante Deus constitui um ato de louvor, de gratidão e de intercessão. O que ela é, deve a Cristo, e o que ela faz, faz por Cristo, através de Cristo, em favor do resto do Cristo total, em favor de nós, os membros do corpo que ainda peregrinamos. Por isso a Igreja a toma como intercessora, e a contempla como a imagem da meta que esperamos alcançar.
Não há dúvida de que, desde os primeiros séculos da Igreja, Maria é invocada como intercessora: basta recordar a oração "Sob teu ampara..., do séc III ou IV, ou os mais antigos ícones(imagens), que costumam apresentar Maria com as mãos postas, em posição de oração, indicando sua missão materna de "advogada nossa". Por este motivo é que devemos conservar, com a tradição da Igreja, a devoção a Maria como nossa Mãe e intercessora Maternal. Neste sentido está a Sua Mediação.

consagração


Entre os imensos frutos de revigoração do fervor que a Efusão do Espírito Santo tem gerado entre nós, temos observado um que é especialíssimo por se referir à devoção a Nossa Senhora: o mesmo Espírito Santo que gerou Jesus no seio de Maria, tem inspirado cada vez mais os batizados a assumir a filiação a esta Mãe Santíssima, que nos foi entregue por seu Filho ao pé da cruz. Nós a assumimos como Mãe e temos renascido espiritualmente dela.

Um grande sinal desta entrega é o aumento significativo da prática tão antiga e nova da consagração total a Jesus Cristo pelas mãos de Maria, ensinada por São Luís Maria Grignion de Monfort. O que posso testemunhar acerca desta consagração, é que tem sido grande fonte de libertação interior e de conversão da minha vida a Jesus Cristo.

Parece algo contraditório, mas o que se comprova na prática é que este ato de consagração, através do qual clamamos a Maria que nos apresente a Jesus na qualidade de escravos, entregando à sua administração todos os possíveis méritos de nossos atos e orações, traz imensos frutos de libertação para nossa vida. Como pode isto acontecer?

A graça

Sabemos que a graça é uma ação misteriosa de Deus em nossa vida e, portanto, ultrapassa o raciocínio humano, de modo que seria inútil tentar explicar inteiramente aqui este ato de fé, que é mistério para ser aceito e vivido. Mas em respeito à nossa humanidade, Deus, cheio de misericórdia - através das Escrituras e do ensinamento da Igreja - se curva sobre nós para tentar nos "explicar" o inexplicável.

Enquanto a imensa graça deste ato de consagração tem arrebatado imediatamente a uns, que fazem-na sem nada perguntar, outros querem ardentemente fazê-lo, mas surgem no seu coração certos temores, especialmente no que se refere ao seu papel intercessor: "Se fizer este ato de consagração, não poderei mais interceder especificamente por aqueles que me pedem orações? Não poderei oferecer por eles atos de sacrifício? Estarei me tornando escravo de Nossa Senhora ou de seu Filho Jesus? Entregarei meus méritos a Nossa Senhora ou a Jesus?"

Para que não existam mais esses temores, penso que seria importante recordar uma Palavra da Carta de São Paulo aos Coríntios acerca da criatura humana que precisamos encarar e aceitar: "Que tens que não hajas recebido?" (1Cor 4,7b).

Na realidade, tudo o que possamos ser, ter ou fazer é puro dom de Deus para nós. Consagrar os frutos de nossos méritos a Jesus é entrar na verdade da nossa relação com Ele: Deus é nosso Pai e nada temos, somos ou podemos fazer sem que Ele nos conceda. Portanto, nossos pretensos méritos são como "moedinhas" que Ele mesmo coloca em nossos "bolsos" para comprarmos um presente para Ele.

Comunhão dos Santos

Outro importante instrumento de compreensão do ato de consagração a Jesus por Maria é a meditação no mistério da Comunhão dos Santos: uma vez que todos os batizados formam um só "corpo" espiritual, cuja "cabeça" é Cristo, o bem de Cristo é comunicado a nós, e todo bem que recebemos dele é comunicado entre nós como a seiva é comunicada a todos os ramos de uma árvore. Como então pretendermos dominar este processo "determinando" a Deus o bem que Ele deve fazer a esta ou àquela pessoa através de nós?

É claro que devolver a Deus este direito que já é dele não significa sermos impedidos de interceder por aqueles que nos pedem orações. Mas significa deixar que Deus tome inteiramente em suas mãos os resultados de nossos atos e orações, e o faça pelas mãos daquela que foi escolhida para que Jesus, fonte de toda graça, viesse habitar em nós e nos dar tudo o que somos, temos ou fazemos. Maria é a porta por onde recebemos Jesus e toda graça; é também a porta por onde devolvemos a Jesus o direito sobre tudo o que temos, somos e fazemos.

Consagrar-nos a Jesus pelas mãos de Maria não é um favor que fazemos a Jesus, nem um sacrifício, mas uma grande bênção, um imenso dom, uma profunda alegria, e a restauração da consciência de uma verdade fundamental da nossa vida: somos dele, somos portanto de sua e nossa Mãe, Maria!

Na vida

Gostaria também de partilhar aqui um outro aspecto do ato de consagração a Jesus pelas mãos de Maria que toca profundamente o meu coração: o aspecto vivencial. Como São Luís de Monfort mesmo diz no seu "Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem", a entrega total a Maria é uma perfeita renovação das promessas do nosso Batismo. Pelo Batismo, renunciamos a Satanás e a compactuar com suas obras, renunciamos ao pecado e a fazer prevalecer a nós mesmos. Na entrega total a Maria, renovamos esta renúncia e ainda damos expressamente a Nosso Senhor, pelas mãos dela, o valor que Deus quiser dar às nossas ações e orações. Jesus se deu inteiramente a nós e o quis fazê-lo pelas mãos de Nossa Senhora, e agora nos devolvemos inteiramente a Ele também do mesmo modo: pelas mãos de Nossa Senhora.

Maria é a porta do céu, a porta das graças que circulam no corpo da Igreja. No entanto, durante a vida, Maria permaneceu muito oculta. A sua humildade foi tão profunda, que não teve na terra atrativo mais poderoso nem mais contínuo que o do escondimento para que só Deus a conhecesse. São Luís Maria de Monfort diz que o próprio Filho quis escondê-la durante sua vida, e em certa ocasião chegou a tratá-la como uma estranha para favorecer sua humildade, embora no seu coração a amasse mais do que a todos os anjos e a todos os homens.

Portanto, a nossa entrega a Maria precisa se efetivar na nossa vida através de atos concretos de humildade e aceitação de toda humilhação. Depois de nos consagrar a Jesus por intermédio dela, torna-se um absurdo ainda querermos fazer prevalecer nossa pessoa, nossas idéias, nossa vontade em qualquer situação da nossa vida diária. Daí o perigo de nos tornarmos pessoas consagradas a Nossa Senhora, muitas vezes ostentando um belo anel no dedo, sem nos lembrar que escolhemos livremente estar no lugar onde ela esteve com seu Filho Jesus enquanto viveram nesta terra: eles escolheram o último lugar, o lugar de servos, renunciando a todo direito de ditar normas ou prevalecer sua vontade diante de Deus.

Se estamos dispostos a abraçar esta grande graça de estar no lugar escolhido por Jesus e Maria nesta terra, vale a pena nos consagrar a Nossa Senhora. Mas se ainda desejamos conservar algum direito para nós nesta vida, nos preparemos melhor para viver esta devoção, porque ela envolverá desde as pequenas às grandes situações que encontraremos.

Esta escolha do último lugar, decorrente da consagração a Jesus por intermédio de Maria, vai muito além de um lugar físico ou de uma função no serviço da Igreja, que aos olhos de alguns pode parecer significar grandeza ou pequenez. Trata-se do espírito de pequenez, que o Espírito da verdade nos ensina a viver, conforme Cristo mesmo esclareceu no seu diálogo com a mãe dos filhos de Zebedeu (cf. Mt 20,20-28). Aquela mãe, na sua ingenuidade, pediu que Jesus colocasse seus filhos um à direita e o outro à esquerda dele no Reino de Deus, e Ele, após lhes perguntar se estariam dispostos a beber da "taça" da entrega total de sua vida, declarou que somente ao Pai caberia concedê-lo. E aproveitou a ocasião para ensinar aos seus discípulos: "Como sabeis, os chefes das nações as mantêm sob seu poder, e os grandes, sob seus domínios. Não deve ser assim entre vós. Pelo contrário, se alguém quer ser grande entre vós, seja vosso servo, e se alguém quer ser o primeiro entre vós, seja o vosso escravo. Assim é que o Filho do Homem veio, não para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate pela multidão" (cf. Mt 20,25-28).

Através daquela por quem veio a nós o Servo dos servos e foi a primeira a servir a Deus sem reserva, com a entrega total de sua vida, podemos nos consagrar, segundo a devoção ensinada por São Luís de Montfort, sabendo estar renunciando a todo pretenso direito, não só na outra vida, mas desde já, em cada situação do nosso dia-a-dia.

Sabendo disto, como pode alguém que se consagrou a Jesus pelas mãos de Maria ainda exigir direitos, consolos, regalias, reparação de ofensas recebidas, considerações, atos de gratidão ou prevalência da sua opinião diante de alguém? Tudo isto, até somos capazes de sentir, porque somos humanos e tais desejos se levantam dentro de nós. Mas um consagrado a Jesus por Maria rejeita tais pensamentos e até os confessa se neles consentiu ou agiu.

Queridos consagrados a Jesus por Maria, submetamos a cada dia todos os nossos desejos aos de Jesus e Maria, de modo que se os nossos não forem conforme os deles, possamos deixar que sejam aniquilados, e com eles todo egoísmo que nos separa de Deus, para chegarmos à união completa com Ele. E que o Senhor conceda mais e mais aos corações dos batizados o desejo de consagrar-se assim para sempre, pelas mãos de nossa querida Mãe! 

batismo de crianças


A razão teológica pela qual a Igreja batiza crianças é que o Batismo não é como uma matrícula em um clube, mas é um renascer para a vida nova de filhos de Deus, que acontece mesmo que a criança não tome conhecimento do fato. Este renascer da criança a faz herdeira de Deus. A partir do Batismo a graça trabalha em seu coração (cf. 1Jo 3,9), como um princípio sobrenatural. Elas não podem professar a fé, mas são batizadas na fé da Igreja a pedido dos pais.
 
Santo Agostinho explicava bem isto: “As crianças são apresentadas para receber a graça espiritual, não tanto por aqueles que as levam nos braços (embora, também por eles, se são bons fiéis), mas sobretudo pela sociedade espiritual dos santos e dos fiéis… É a Mãe Igreja toda, que está presente nos seus santos, a agir, pois é ela inteira que os gera a todos e a cada um” (Epíst. 98,5).
 
Nenhum pai espera o filho chegar à idade adulta para lhe perguntar se ele quer ser educado, ir para a escola, tomar as vacinas, etc. Da mesma forma deve proceder com os valores espirituais. Se amanhã, esta criança vier a rejeitar o seu Batismo, na idade adulta, o mal lhe será menor, da mesma forma que se na idade adulta renegasse os estudos ou as vacinas que os pais lhe propiciaram na infância.
 
A Bíblia dá indícios de que a Igreja sempre batizou crianças. Na casa do centurião Cornélio (“com toda a sua casa”; At 10,1s.24.44.47s); a negociante Lídia de Filipos (At 16,14s); o carcereiro de Filipos (16,31-33), Crispo de Corinto (At 18,8); a família de Estéfanas (1Cor 1,16). Orígenes de Alexandria († 250) e S. Agostinho († 430), atestam que “o costume de batizar crianças é tradição recebida dos Apóstolos”. Santo Irineu de Lião († 202) considera óbvia a presença de “crianças e pequeninos” entre os batizados (Contra as heresias II 24,4). Um Sínodo da África, sob São Cipriano de Cartago († 258) aprovou que se batizasse crianças “já a partir do segundo ou terceiro dia após o nascimento” (Epíst. 64).
O Concilio regional de Cartago, em 418, afirmou: “Também os mais pequeninos que não tenham ainda podido cometer pessoalmente um pecado, são verdadeiramente batizados para a remissão dos pecados, a fim de que, mediante a regeneração, seja purificado aquilo que eles têm de nascença” (Cânon 2, DS 223).
 
No Credo do Povo de Deus, o Papa Paulo VI afirmou: “O Batismo deve ser ministrado também às criancinhas que não tenham podido ainda tornar-se culpadas de qualquer pecado pessoal, a fim de que elas, tendo nascido privadas da graça sobrenatural,renasçam pela água e pelo Espírito Santo para a vida divina em Cristo Jesus” (nº 18).